quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Bom de "O Lado Bom da Vida"





Um livro que consegue nos passar uma mensagem otimista sem a pretensão de fazê-lo. É assim que me senti depois de ler O Lado Bom da Vida, autoria de Matthew Quick.

Conta a história de Pat Peoples, um ex-professor de história que vai morar com os pais após ficar confinado numa clínica psiquiátrica devido a um trauma. Ele tenta entender os motivos que o levaram a ser internado e afastá-lo de sua esposa, Nikki, por um período que ele julga temporário, o qual chama de "tempo separados." Pat acredita que está apenas vivendo uma história de filme e que, no fim, acabará tendo o seu "final feliz."

A narrativa é construída em primeira pessoa no tempo presente sob a visão do personagem, numa forma simples e bem elaborada de mostrar as diversas situações pelas quais passa. É um ponto de vista fragmentado, complexo, por vezes, absurdo, numa tentativa de reconstruir suas lembranças perdidas. O leitor se vê envolvido no mistério que ronda a vida de Pat tentando junto com ele entender o mundo que o cerca. Mostra-nos que a loucura e a normalidade andam de mãos juntas em situações do cotidiano. Afinal, quem pode dizer que é realmente normal?

Além de mostrar a instabilidade mental de Pat, também vemos a forma inusitada como os outros personagens do livro lidam com seus próprios dramas: o humor do pai que é afetado pelas vitórias ou perdas do time de futebol americano pelo qual torce (inclusive é a única coisa que faz com que converse com o filho); Tiffany, vizinha de Pat e cunhada de seu melhor amigo (também sofre de um distúrbio mental), mantém amizade com o protagonista, mas, no início, só interage com ele quando correm juntos, sem conversarem.

Há outros personagens como a mãe, o irmão e o melhor amigo, que tentam interagir com o protagonista sem revelar muita coisa do que lhe aconteceu. A mãe, por exemplo, chega ao ponto de esconder as fotos de casamento do filho para evitar perguntas sobre Nikki. Já o terapeuta de Pat, doutor Cliff, é uma figura interessante que procura "entrar" nas fantasias de seu paciente para tentar ajudá-lo.

A narrativa consegue ser profunda, mas não cansativa. Há uma leveza em sua construção que foge dos clichês. É lenta, mas é um ritmo que a própria história pede.

Por mais que, de certa forma, através do protagonista o autor brinque com o conceito de "lado bom das coisas", de forma até exagerada, irritante, (talvez para nos convencer que  nem tudo são flores como Pat acredita), é impossível não nos identificar com o personagem e torcer para que, de fato, tenha seu "final feliz".

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